domingo, 28 de novembro de 2010

Crise no Rio, encontro do Brasil com sua história.

O que vemos nos noticiários de tv na última semana não é apenas uma cena de guerra urbana que atingiu graves proporções no Estado do Rio de Janeiro, é o encontro do Brasil com a realidade de milhares de brasileiros que a alta cúpula da nossa engenharia social desejou suprimir do processo de construção da nação e isso remonta desde que a nação nasceu, não de um ato heróico como figura Pedro Américo em sua pintura retratando um Dom Pedro I altivo, mas de interesses específicos de determinados segmentos da sociedade brasileira que concentraram em si o poder de decisão, controlando as instituições para delas usufruírem e impedindo o direito de cidadania aos desvalidos pela engrenagem da economia capitalista antiliberal e antidemocrática aqui montada.

O problema da violência nas grandes cidades é uma questão complexa que envolve uma gama de fatores: ausência do Estado na garantia das condições mínimas de vida naquelas comunidades marginalizadas pelo poder público, omissão essa que gerou ocupação desordenada de morros dando origem às favelas que conhecemos, ou "guetos da modernidade"


Ainda há muito o que fazer para diminuir as disparidades sociais. Ocupação militar e policial não basta. Deve-se levar às localidades outrora dominadas pelo tráfico de drogas as instituições da sociedade civil, para que assim possamos construir um novo futuro centrado no papel do indivíduo na sociedade em que vive.


Levar escolas para as favelas, obras de urbanização e hospitais para regiões antes dominadas pelo tráfico de drogas são ações que devem fazer parte da política social das três instâncias de governo, porém o grande desafio é promover a mudança dos valores, que traficantes não sejam vistos como bem feitores, que o poder público não retroceda com a política de intolerância às ações criminosas.


Desse caos, nascerá uma nova sociedade brasileira. Mais madura, consciente e capaz de responder a qualquer ataque às instituições democráticas ou à ordem social.
Por Caio Ferreira Rocha, professor da E.E.F.M Beni Carvalho.

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